Clássicas do pensamento social responde, em primeiro lugar, a uma necessidade histórica: recuperar para o cânone das ciências sociais as ideias, a visão crítica e as elaborações teóricas de mulheres que não entraram para a história do pensamento social, cuja bibliografia, como acontece em tantas outras áreas de saber, é formada apenas por homens. Em provocação (e certa ironia), as organizadoras Verônica Toste Daflon e Bila Sorj tecem comentários e, ao mesmo tempo, questionam o que define um “clássico”, retirando da marginalidade mulheres cientistas sociais ainda hoje muito relevantes.

As autoras aqui retomadas – Harriet Martineau, Anna Julia Cooper, Pandita Ramabai Sarasvati, Charlotte Perkins Gilman, Olive Schreiner, Alexandra Kollontai, Ercília Nogueira Cobra e Alfonsina Storni – viveram entre o final do século XIX e o início do século XX. São autoras oriundas de diferentes contextos e que teorizaram sobre a questão da mulher, oferendo um panorama rico de teorias sociólogicas sobre a modernidade. Disponível em capa dura e e-book no site da Amazon.com.

A pesquisadora do LabGen Anna Barbara Araujo acaba de publicar, em coautoria com Bila Sorj, o artigo “A mulher na sociedade de classes: um clássico dos estudos de gênero” na Revista Estudos Feministas. O artigo discute a recepção da obra de Heleieth Saffioti, com ênfase no livro A mulher na sociedade de classes: mito e realidade, nas Ciências Sociais e Humanas brasileiras ao longo das últimas cinco décadas. O objetivo do artigo é mostrar como a circulação dos escritos de Saffioti se manteve irregular e como dialoga com a área de estudos de gênero e feminista no país. Para tal, é realizada uma análise bibliométrica das citações à autora, bem como são investigadas as dinâmicas de formação e consolidação do campo dos estudos de gênero no Brasil. Confira o artigo na página da Revistas Estudos Feministas no Scielo.

“Por que falar do matriarcado pré-histórico? Reflexões sobre uma invenção oitocentista”. A professora dra. Lolita Guerra participou do I CICLO DE SEMINÁRIOS MESSALINAS, promovido pelo “Messalinas USP, Grupo de Estudos sobre Gênero e Sexualidade na Antiguidade”. Docente da Faculdade de Formação de Professores da UERJ, a Profa. Dra Lolita Guerra desenvolve pesquisas explorando o diálogo entre a História Antiga, a História das Religiões, a História Cultural, a Filosofia, a Antropologia e a Arqueologia. Atualmente investiga os discursos constituídos desde o século XIX sobre a Pré-História, sob uma perspectiva de gênero. Em sua apresentação em nosso seminário, a Profa. Dra. Lolita Guerra discute sobre a importância do debate acerca do matriarcado pré-histórico no ensino de História. A palestra está disponível no canal do Youtube do Messalinas.

As pesquisadoras do LabGen Verônica Toste Daflon e Débora Thomé Costa acabam de publicar, em coautoria com Felipe Borba, o artigo “Gênero, feminismo e geração: uma análise dos perfis e opiniões das mulheres manifestantes no Rio de Janeiro” nos Cadernos PAGU (Unicamp). O artigo aborda perfis e opiniões de mulheres presentes na manifestação do 8 de Março de 2017 no Rio de Janeiro, sondados através de uma pesquisa de survey. A análise dos dados revelou que as variáveis cor, renda, escolaridade e orientação sexual não afetaram significativamente a opinião das entrevistadas. O que se mostrou relevante foram as diferenças por idade. Os dados apontaram também transformações na composição racial, etária e socioeconômica das feministas. A partir desses achados, investigamos a relação entre gênero, feminismo e geração no que toca estratégias e repertórios de mobilização, identidade, gênero, corpo, subjetividade, sexualidade, cultura e política. Confira o artigo na página da revista no Scielo.

A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) está realizando, até o próximo dia 26 (sexta-feira), o Seminário Temático Anpocs “Mulheres na Teoria Social I”, organizado pelas sociólogas Mariana Chaguri e Verônica Toste. O evento está sendo realizado em parceria com o Laboratório de Estudos de Gênero e Interseccionalidade (LabGen) e o Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e está sendo transmitido por meio do canal do YouTube da Anpocs. O presidente da entidade, André Botelho, ressaltou que o curso de extensão é o primeiro do gênero no país. “Esse curso é uma iniciativa pioneira no Brasil, abordando o papel das mulheres e as obras dessas intelectuais pioneiras das Ciências Sociais”, disse Botelho, enfatizando que a primeira sessão, realizada na última segunda-feira (15), foi um sucesso com mais de 400 inscritos. Leia a matéria completa no site do Real Time 1.

A ideia de um “matriarcado” original e pré-histórico anima a imaginação e está na base de várias teorias feministas, desde os anos 1970 até a atualidade. No centro dessa ideia residem idealizações da maternidade, estereótipos e a atribuição de características positivas supostamente essenciais e inatas às mulheres. Sua sustentação em círculos não-acadêmicos tem dependido também da rejeição a abordagens críticas de evidências científicas em favor da intuição e da crença. No artigo “Pequeno histórico do ‘matriarcado’ como hipótese para a interpretação da história”, recém-publicado por Lolita Guerra, professora da Uerj e pesquisadora do LabGen e do CCCP-PréK, retraça as aparições dessa hipótese na literatura desde sua formulação pelo classicista Johann Bachofen no século XIX até a sua transformação no século XX, discutindo seus problemas teóricos e metodológicos.

“Ao longo de sua história na modernidade, a hipótese do matriarcado pré-histórico combinou três operações de identificação hoje inaceitáveis: entre mito e história; entre sociedades pré-históricas e sociedades modernas ágrafas e não-europeias; entre status religioso (no mito, no culto) e status político e econômico. Apesar das transformações disciplinares que hoje impedem identificações como essas, por dentro e às margens das ciências humanas o matriarcado pré-histórico se constituiu como um paraíso perdido das mulheres, cuja memória teria sido ocultada pelo patriarcado graças ao monopólio masculino da escrita da História”.

Acesse o artigo completo na revista Mare Nostrum.